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Ano 4 Nº 44 Maio de 2006

Médicos são os que mais trabalham no Brasil

Luis Márcio de Araújo Ramos, Presidente da FHEMIG

Para o presidente do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais, ainda existem situações em que os médicos trabalham sob condições precárias, com contratações irregulares e sem garantias de direitos trabalhistas

Pesquisa do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, FGV, revela que a medicina é a profissão com a jornada de trabalho mais extensa do país, aproximadamente 52 horas semanais. O estudo intitulado "O Retorno da Educação no Mercado de Trabalho" avaliou o ranking de rendas e jornadas de trabalho de mais de 80 níveis de carreiras universitárias.

Para o levantamento, a FGV considerou dois patamares: escolaridade e remuneração. Quem estudou mais recebe salários mais altos e tem mais chances de empregabilidade.

Os resultados da pesquisa indicaram que se o médico com pós-graduação possui apenas um vínculo empregatício, seu salário mensal chega a R$ 5.091 e para os graduados é de R$ 3.841. O cálculo por hora trabalhada gira em torno de R$ 26. Numa análise geral, a renda média, somando-se salários e remuneração de todos os vínculos de um mesmo profissional, o valor chega a R$ 8.966.

Os maiores índices salariais concentram-se em Rio Branco, Cuiabá, Brasília e São Paulo, respectivamente. Na capital mineira, o salário mensal de um médico é de aproximadamente, R$ 3.009, ocupando o 14º lugar no ranking nacional. Em Minas Gerais, tem-se 10,76% de profissionais formados em medicina.

Constatou-se, também, que o Brasil é o país da América Latina com os maiores diferenciais de remuneração entre os universitários e os demais profissionais.

Outros dados sobre a carreira do médico

 

A pesquisa indica que os médicos que cursaram mestrado ou doutorado têm 93% de chance de ter um emprego enquanto os pós-graduados têm 91% de chance de uma vaga no mercado de trabalho, acima das outras profissões analisadas.

O estado brasileiro onde o mercado de trabalho para o médico é promissor é, em primeiro lugar, o Amapá, seguido de Roraima. Já o Distrito Federal e Rondônia são os que possuem menos chance de emprego.

Segundo o coordenador do estudo, Marcelo Cortês Néri, chefe do Centro de Políticas Sociais da FGV, esta análise é importante seja na escolha privada de carreira ou de abertura de novas escolas, seja na decisão pública para saber quais os valores, em reais, das diferentes profissões no mercado de trabalho.

O presidente do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais, Dr. Cristiano Gonzaga da Matta Machado, revela que a pesquisa falhou ao desconsiderar, detalhadamente, os vínculos de trabalho dos médicos. "Para uma análise mais profunda, seria preciso especificar, por exemplo, se o profissional tem vínculos temporários ou não", destaca. Para ele, a pesquisa, ao mesmo tempo, deixa claro que ainda há trabalho para a medicina no país.

Segundo Matta Machado, ainda existem situações em que os médicos trabalham sob condições precárias, com contratações irregulares e sem garantias de direitos trabalhistas. O Sindicato defende que as carreiras da saúde e educação passem a ser consideradas de Estado, com acesso exclusivo por concurso e carreira definida por lei federal. "Juízes, promotores, auditores fiscais existem em todas as localidades onde são necessários porque são cargos definidos por concurso público e salários dignos. Somente através deste reconhecimento é que todas as localidades poderão ter profissionais de saúde que se fixam e garantam atendimento à população, sem ingerências políticas", diz.

Ele aponta que, em muitas cidades, os médicos ficam à mercê dos interesses políticos do prefeito de turno, já que têm vínculo precário e podem ser dispensados a qualquer momento. "Essas condições dificultam em muito a atividade, levando à precarização da atenção à população e a grande rotatividade dos profissionais em algumas localidades", ressalta.

Cristiano acrescenta que o Sinmed continuará sua batalha em todo o estado, por um trabalho digno ao médico mineiro. "Já tivemos algumas conquistas para a categoria, neste ano, como a equiparação parcial de salários na FHEMIG e a reposição de perdas da Prefeitura de Belo Horizonte, mas ainda temos muitos caminhos a percorrer", reafirma.