Pesquisa
do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação
Getúlio Vargas, FGV, revela que a medicina
é a profissão com a jornada de trabalho
mais extensa do país, aproximadamente 52
horas semanais. O estudo intitulado "O Retorno
da Educação no Mercado de Trabalho"
avaliou o ranking de rendas e jornadas de trabalho
de mais de 80 níveis de carreiras universitárias.
Para o levantamento,
a FGV considerou dois patamares: escolaridade
e remuneração. Quem estudou mais
recebe salários mais altos e tem mais chances
de empregabilidade.
Os resultados da pesquisa
indicaram que se o médico com pós-graduação
possui apenas um vínculo empregatício,
seu salário mensal chega a R$ 5.091 e para
os graduados é de R$ 3.841. O cálculo
por hora trabalhada gira em torno de R$ 26. Numa
análise geral, a renda média, somando-se
salários e remuneração de
todos os vínculos de um mesmo profissional,
o valor chega a R$ 8.966.
Os maiores índices
salariais concentram-se em Rio Branco, Cuiabá,
Brasília e São Paulo, respectivamente.
Na capital mineira, o salário mensal de
um médico é de aproximadamente,
R$ 3.009, ocupando o 14º lugar no ranking
nacional. Em Minas Gerais, tem-se 10,76% de profissionais
formados em medicina.
Constatou-se, também,
que o Brasil é o país da América
Latina com os maiores diferenciais de remuneração
entre os universitários e os demais profissionais.
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Outros
dados sobre a carreira do médico
A pesquisa indica que
os médicos que cursaram mestrado ou doutorado
têm 93% de chance de ter um emprego enquanto
os pós-graduados têm 91% de chance
de uma vaga no mercado de trabalho, acima das
outras profissões analisadas.
O estado brasileiro onde
o mercado de trabalho para o médico é
promissor é, em primeiro lugar, o Amapá,
seguido de Roraima. Já o Distrito Federal
e Rondônia são os que possuem menos
chance de emprego.
Segundo o coordenador
do estudo, Marcelo Cortês Néri, chefe
do Centro de Políticas Sociais da FGV,
esta análise é importante seja na
escolha privada de carreira ou de abertura de
novas escolas, seja na decisão pública
para saber quais os valores, em reais, das diferentes
profissões no mercado de trabalho.
O presidente do Sindicato
dos Médicos de Minas Gerais, Dr. Cristiano
Gonzaga da Matta Machado, revela que a pesquisa
falhou ao desconsiderar, detalhadamente, os vínculos
de trabalho dos médicos. "Para uma
análise mais profunda, seria preciso especificar,
por exemplo, se o profissional tem vínculos
temporários ou não", destaca.
Para ele, a pesquisa, ao mesmo tempo, deixa claro
que ainda há trabalho para a medicina no
país.
Segundo Matta Machado,
ainda existem situações em que os
médicos trabalham sob condições
precárias, com contratações
irregulares e sem garantias de direitos trabalhistas.
O Sindicato defende que as carreiras da saúde
e educação passem a ser consideradas
de Estado, com acesso exclusivo por concurso e
carreira definida por lei federal. "Juízes,
promotores, auditores fiscais existem em todas
as localidades onde são necessários
porque são cargos definidos por concurso
público e salários dignos. Somente
através deste reconhecimento é que
todas as localidades poderão ter profissionais
de saúde que se fixam e garantam atendimento
à população, sem ingerências
políticas", diz.
Ele aponta que, em muitas
cidades, os médicos ficam à mercê
dos interesses políticos do prefeito de
turno, já que têm vínculo
precário e podem ser dispensados a qualquer
momento. "Essas condições dificultam
em muito a atividade, levando à precarização
da atenção à população
e a grande rotatividade dos profissionais em algumas
localidades", ressalta.
Cristiano acrescenta
que o Sinmed continuará sua batalha em
todo o estado, por um trabalho digno ao médico
mineiro. "Já tivemos algumas conquistas
para a categoria, neste ano, como a equiparação
parcial de salários na FHEMIG e a reposição
de perdas da Prefeitura de Belo Horizonte, mas
ainda temos muitos caminhos a percorrer",
reafirma.
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