Medicina
Geraes: O que representou a vitória
da chapa "Cooperação e Crescimento"?
Emerson
Fidelis Campos: O Sistema Unimed em Minas
Gerais anseia por efetivas transformações
que garantam a todas as cooperativas médicas
o crescimento sustentável - condição
fundamental para a valorização do
trabalho e da remuneração dos médicos
cooperados - para a satisfação dos
nossos clientes, promoção da saúde
e uma permanente prática da responsabilidade
social. A chapa "Cooperação
e Crescimento" apresenta uma proposta de
profissionalização da gestão
das Unimeds voltada para esse desenvolvimento,
realizando mudanças técnicas e operacionais.
A vitória representa, portanto, um novo
ciclo de crescimento e fortalecimento, aumentando
a eficiência e a competitividade das Unimeds.
MG:
Quais são as principais propostas desta
gestão?
EFC:
Nossa proposta é estabelecer caminhos para
um crescimento mútuo, através de
relações mais plurais e democráticas,
baseadas na eqüidade entre as Cooperativas
médicas. Para isso, daremos início
a um processo democrático que permita a
expressão e a valorização
das identidades e experiências regionais.
Instituiremos um amplo programa de inovações
de gestão, que irá garantir a otimização
de tecnologias e a profissionalização
em toda a nossa estrutura, priorizando o desenvolvimento
técnico e favorecendo a uma assistência
integral e eficaz às Unimeds mineiras.
Estabeleceremos metas para o fortalecimento das
carteiras e implementaremos rotinas adequadas
para chegarmos a um acordo entre as Unimeds no
que diz respeito ao ressarcimento ao SUS, à
Classificação Brasileira Hierarquizada
de Procedimentos Médicos (CBHPM), todo
o processo de regulamentação e as
questões tributárias das cooperativas.
MG:
O que será necessário fazer para
ampliar o projeto de modernização
das Unimeds de todo o Estado?
EFC:
Precisamos firmar um acordo entre a Federação
e todas as Unimeds de Minas Gerais para estabelecermos
uma política participativa de gestão
e um plano estratégico global para o Estado.
Será necessário assumir uma postura
efetiva de intercooperação em prol
do crescimento mútuo, da consolidação
da marca Unimed e reputação do Sistema
Unimed mineiro. A administração
das cooperativas deve ter uma orientação
técnica de mercado, com foco nos produtos
e nos seus públicos. Assim, estaremos inovando
o processo de gestão e conseguiremos valorizar
o trabalho médico, proporcionando aos cooperados
o retorno financeiro esperado.
MG:
Qual o principal fator, na opinião do senhor,
que faz do financiamento da saúde uma equação
quase impossível?
EFC:
Nós somos uma sociedade com uma capacidade
limitada de pagamento. E dentro dos limites de
nossa capacidade econômica temos que estabelecer
prioridades. O caso é que há décadas
os governos têm excluído os investimentos
sociais do topo da lista de prioridades. Saúde,
educação e segurança pública
aparecem como prioridade para a população
em qualquer consulta pública que se fizer
no Brasil. Porém, os governos elegem outras
prioridades. Assim, apenas um quarto dos brasileiros
pode recorrer ao sistema de saúde suplementar.
Para que haja alguma solução, é
preciso rever as prioridades para os gastos públicos.
MG:
Qual a sua avaliação sobre a atuação
do Sistema Unimed em Minas Gerais?
EFC:
O Sistema Unimed, assim como todas as operadoras
de plano de saúde, estava vivendo um momento
de adequação de suas rotinas às
determinações do processo de regulamentação
do setor. Junto a isso, caminhava uma apatia no
mercado, que se mostrava estagnado. O trabalho
inovador de gestão realizado pela Unimed-BH
mostrou que é possível às
cooperativas se profissionalizarem e conquistarem
mercado. A Unimed-BH alcançou, em novembro
de 2005, a marca de 550 mil clientes, com um crescimento
de 10% em apenas um ano. Para se ter uma idéia,
somente os 50 mil novos clientes representam a
carteira de 1420 operadoras de planos de saúde
brasileiras, que correspondem a 80% das empresas
ativas na ANS. A fatia de mercado conquistada
pela Unimed-BH beneficia diretamente os cooperados,
uma vez que provoca um aumento na demanda por
trabalho médico. Além disso, significa
maior solidez.
MG:
Quais foram as principais mudanças na administração
da Unimed-BH?
EFC:
A principal mudança foi a quebra de paradigmas.
Abandonamos uma postura tradicional de administração
de cooperativas para inovarmos com uma gestão
de planejamento, focada na qualidade técnica,
na profissionalização, no relacionamento
participativo com os cooperados e nas necessidades
do mercado. Implementamos um programa estratégico
de crescimento, integrando a gestão da
cooperativa ao trabalho do médico.
MG:
Como avalia a situação da saúde
suplementar no país?
EFC:
O cenário atual é complexo e marcado
por necessidade de urgentes transformações.
O envelhecimento populacional e o aumento na prevalência
das doenças crônicas fazem emergir
novas demandas sociais exigindo cuidados mais
sofisticados e permanentes que agregam custos
ao sistema público. Novas incorporações
tecnológicas surgem com freqüência.
Diante disso, a saúde suplementar no Brasil
desempenha importante papel, financiando grande
parte dos recursos destinados à assistência
médica e hospitalar. Vivemos um momento
em que o caráter complementar dos setores
público e privado de saúde direciona
para uma nova postura imperativa, estabelecendo
propostas concretas para integrar ações,
otimizando recursos e potencializando os benefícios
de uma política nacional para o setor de
saúde.
MG:
Que balanço faz sobre a implantação
da CBHPM? O que ainda precisa ser feito?
EFC:
A implantação da CBHPM não
é um processo simples. Existem várias
dificuldades técnicas que temos que considerar.
Entre elas está o custo dos honorários
médicos, o impacto nos contratos das operadoras
com os credenciados e clientes e a adaptação
tecnológica. Até hoje, nenhuma cooperativa
Unimed implantou totalmente a Classificação,
mas estamos nos preparando. Fizemos uma tabela
de conversão para que o Sistema Unimed
em todo o país possa utilizar os mesmos
métodos de identificação
de procedimentos. Para isso, é necessário
que se faça também uma readequação
dos softwares utilizados pelas Unimeds. Precisamos,
ainda, mostrar ao cooperado o impacto da CBHPM
na cooperativa e em seu consultório. O
trabalho de todas as Unimeds está voltado
para uma boa remuneração do trabalho
médico e a Federação está
empenhada em discutir o que for melhor para o
médico. Neste aspecto, contamos com o apoio
e o entendimento de todas as entidades representativas
da classe. |