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Ano 4 Nº 44 Maio de 2006

Nova diretoria pretende modernizar Unimeds mineiras

Dr. Emerson Fidelis Campos, presidente da Federação das Unimeds de Minas Gerais

A Federação das Unimeds de Minas Gerais elegeu, no mês de março, sua nova Diretoria, formada pelos presidentes Dr. Emerson Fidelis Campos, da Unimed-BH; Dr. Hugo Campos Borges, Unimed Juiz de Fora e Dr. Antenor Santarelli Zuliani, de Uberaba. A chapa vitoriosa, "Cooperação e Crescimento", pretende modernizar as estruturas do Sistema Unimed em todo o estado.

Em entrevista ao "Medicina Geraes", o presidente eleito, Dr. Emerson Fidelis Campos, falou sobre as principais propostas da sua gestão, a modernização do Sistema Unimed e a situação atual da saúde suplementar.

Medicina Geraes: O que representou a vitória da chapa "Cooperação e Crescimento"?

Emerson Fidelis Campos: O Sistema Unimed em Minas Gerais anseia por efetivas transformações que garantam a todas as cooperativas médicas o crescimento sustentável - condição fundamental para a valorização do trabalho e da remuneração dos médicos cooperados - para a satisfação dos nossos clientes, promoção da saúde e uma permanente prática da responsabilidade social. A chapa "Cooperação e Crescimento" apresenta uma proposta de profissionalização da gestão das Unimeds voltada para esse desenvolvimento, realizando mudanças técnicas e operacionais. A vitória representa, portanto, um novo ciclo de crescimento e fortalecimento, aumentando a eficiência e a competitividade das Unimeds.

MG: Quais são as principais propostas desta gestão?

EFC: Nossa proposta é estabelecer caminhos para um crescimento mútuo, através de relações mais plurais e democráticas, baseadas na eqüidade entre as Cooperativas médicas. Para isso, daremos início a um processo democrático que permita a expressão e a valorização das identidades e experiências regionais. Instituiremos um amplo programa de inovações de gestão, que irá garantir a otimização de tecnologias e a profissionalização em toda a nossa estrutura, priorizando o desenvolvimento técnico e favorecendo a uma assistência integral e eficaz às Unimeds mineiras. Estabeleceremos metas para o fortalecimento das carteiras e implementaremos rotinas adequadas para chegarmos a um acordo entre as Unimeds no que diz respeito ao ressarcimento ao SUS, à Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM), todo o processo de regulamentação e as questões tributárias das cooperativas.

MG: O que será necessário fazer para ampliar o projeto de modernização das Unimeds de todo o Estado?

EFC: Precisamos firmar um acordo entre a Federação e todas as Unimeds de Minas Gerais para estabelecermos uma política participativa de gestão e um plano estratégico global para o Estado. Será necessário assumir uma postura efetiva de intercooperação em prol do crescimento mútuo, da consolidação da marca Unimed e reputação do Sistema Unimed mineiro. A administração das cooperativas deve ter uma orientação técnica de mercado, com foco nos produtos e nos seus públicos. Assim, estaremos inovando o processo de gestão e conseguiremos valorizar o trabalho médico, proporcionando aos cooperados o retorno financeiro esperado.

MG: Qual o principal fator, na opinião do senhor, que faz do financiamento da saúde uma equação quase impossível?

EFC: Nós somos uma sociedade com uma capacidade limitada de pagamento. E dentro dos limites de nossa capacidade econômica temos que estabelecer prioridades. O caso é que há décadas os governos têm excluído os investimentos sociais do topo da lista de prioridades. Saúde, educação e segurança pública aparecem como prioridade para a população em qualquer consulta pública que se fizer no Brasil. Porém, os governos elegem outras prioridades. Assim, apenas um quarto dos brasileiros pode recorrer ao sistema de saúde suplementar. Para que haja alguma solução, é preciso rever as prioridades para os gastos públicos.

MG: Qual a sua avaliação sobre a atuação do Sistema Unimed em Minas Gerais?

EFC: O Sistema Unimed, assim como todas as operadoras de plano de saúde, estava vivendo um momento de adequação de suas rotinas às determinações do processo de regulamentação do setor. Junto a isso, caminhava uma apatia no mercado, que se mostrava estagnado. O trabalho inovador de gestão realizado pela Unimed-BH mostrou que é possível às cooperativas se profissionalizarem e conquistarem mercado. A Unimed-BH alcançou, em novembro de 2005, a marca de 550 mil clientes, com um crescimento de 10% em apenas um ano. Para se ter uma idéia, somente os 50 mil novos clientes representam a carteira de 1420 operadoras de planos de saúde brasileiras, que correspondem a 80% das empresas ativas na ANS. A fatia de mercado conquistada pela Unimed-BH beneficia diretamente os cooperados, uma vez que provoca um aumento na demanda por trabalho médico. Além disso, significa maior solidez.

MG: Quais foram as principais mudanças na administração da Unimed-BH?

EFC: A principal mudança foi a quebra de paradigmas. Abandonamos uma postura tradicional de administração de cooperativas para inovarmos com uma gestão de planejamento, focada na qualidade técnica, na profissionalização, no relacionamento participativo com os cooperados e nas necessidades do mercado. Implementamos um programa estratégico de crescimento, integrando a gestão da cooperativa ao trabalho do médico.

MG: Como avalia a situação da saúde suplementar no país?

EFC: O cenário atual é complexo e marcado por necessidade de urgentes transformações. O envelhecimento populacional e o aumento na prevalência das doenças crônicas fazem emergir novas demandas sociais exigindo cuidados mais sofisticados e permanentes que agregam custos ao sistema público. Novas incorporações tecnológicas surgem com freqüência. Diante disso, a saúde suplementar no Brasil desempenha importante papel, financiando grande parte dos recursos destinados à assistência médica e hospitalar. Vivemos um momento em que o caráter complementar dos setores público e privado de saúde direciona para uma nova postura imperativa, estabelecendo propostas concretas para integrar ações, otimizando recursos e potencializando os benefícios de uma política nacional para o setor de saúde.

MG: Que balanço faz sobre a implantação da CBHPM? O que ainda precisa ser feito?

EFC: A implantação da CBHPM não é um processo simples. Existem várias dificuldades técnicas que temos que considerar. Entre elas está o custo dos honorários médicos, o impacto nos contratos das operadoras com os credenciados e clientes e a adaptação tecnológica. Até hoje, nenhuma cooperativa Unimed implantou totalmente a Classificação, mas estamos nos preparando. Fizemos uma tabela de conversão para que o Sistema Unimed em todo o país possa utilizar os mesmos métodos de identificação de procedimentos. Para isso, é necessário que se faça também uma readequação dos softwares utilizados pelas Unimeds. Precisamos, ainda, mostrar ao cooperado o impacto da CBHPM na cooperativa e em seu consultório. O trabalho de todas as Unimeds está voltado para uma boa remuneração do trabalho médico e a Federação está empenhada em discutir o que for melhor para o médico. Neste aspecto, contamos com o apoio e o entendimento de todas as entidades representativas da classe.