Em 1808, com a transferência
da Corte Portuguesa para o Brasil, D. João
VI cria as duas primeiras escolas de medicina:
uma em Salvador e a outra no Rio de Janeiro.
Atualmente, são
146 faculdades em funcionamento no país,
graduando cerca de 12 mil médicos a cada
ano.
Assim, o Brasil está
prestes a ultrapassar a marca de 300 mil médicos,
com 65% deles morando nos grandes centros urbanos.
Enquanto a Organização Mundial de
Saúde defende a relação de
1/1000 entre médicos e habitantes, esse
número, no momento, alcança 1/622.
Belo Horizonte possui 01 médico para cada
237 habitantes.
Por esse motivo, há
muito tempo, as nossas entidades têm posição
contrária à abertura indiscriminada
de novas faculdades de medicina.
Para nós, o importante
é assegurar qualidade de ensino para os
novos formandos e criar metas que viabilizem a
sua transferência para as cidades do interior.
Sofremos muito por defender
essa causa. Injustamente, fomos acusados de corporativistas.
Alegavam que pretendíamos, simplesmente,
uma reserva de mercado.
Porém, muitos
começam a comungar dessa nossa causa. Importantes
decisões judiciais comprovam a justiça
de nossa causa. Nós, que tradicionalmente
estivemos na defensiva, começamos a visualizar
a moralização do setor.
Recentemente, a Assembléia
Legislativa de Minas Gerais aprovou Emenda Constitucional
revogando dispositivo que contrariava legislação
federal e permitia ao Conselho Estadual de Educação
autorizar a abertura de novas faculdades de medicina,
sem ouvir o MEC. Foi mais uma importante vitória!
Setores expoentes da
sociedade começam a entender que a simples
graduação de nossos jovens, que
sequer têm acesso a um curso de residência,
em nada contribui para melhorar o padrão
de nossa medicina. Estamos apenas aumentando o
número de profissionais despreparados,
decepcionados, mal remunerados e aglomerados nos
grandes centros urbanos.
Por este motivo, o CRMMG
vai continuar sua caminhada, em defesa dos cursos
de medicina qualificados que respeitem as reais
necessidades do mercado e viabilizem a formação
de bons profissionais. Isso interessa à
população brasileira e esta é
a nossa responsabilidade.
DR. MAURÍCIO LEÃO
DE REZENDE
Presidente do Conselho Regional de Medicina de
Minas Gerais |