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Dr. Arnaldo Godoy
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Ano 1 Nº 40 Setembro de 2005

Palavra CRM

Escolas médicas

Em 1808, com a transferência da Corte Portuguesa para o Brasil, D. João VI cria as duas primeiras escolas de medicina: uma em Salvador e a outra no Rio de Janeiro.

Atualmente, são 146 faculdades em funcionamento no país, graduando cerca de 12 mil médicos a cada ano.

Assim, o Brasil está prestes a ultrapassar a marca de 300 mil médicos, com 65% deles morando nos grandes centros urbanos. Enquanto a Organização Mundial de Saúde defende a relação de 1/1000 entre médicos e habitantes, esse número, no momento, alcança 1/622. Belo Horizonte possui 01 médico para cada 237 habitantes.

Por esse motivo, há muito tempo, as nossas entidades têm posição contrária à abertura indiscriminada de novas faculdades de medicina.

Para nós, o importante é assegurar qualidade de ensino para os novos formandos e criar metas que viabilizem a sua transferência para as cidades do interior.

Sofremos muito por defender essa causa. Injustamente, fomos acusados de corporativistas. Alegavam que pretendíamos, simplesmente, uma reserva de mercado.

Porém, muitos começam a comungar dessa nossa causa. Importantes decisões judiciais comprovam a justiça de nossa causa. Nós, que tradicionalmente estivemos na defensiva, começamos a visualizar a moralização do setor.

Recentemente, a Assembléia Legislativa de Minas Gerais aprovou Emenda Constitucional revogando dispositivo que contrariava legislação federal e permitia ao Conselho Estadual de Educação autorizar a abertura de novas faculdades de medicina, sem ouvir o MEC. Foi mais uma importante vitória!

Setores expoentes da sociedade começam a entender que a simples graduação de nossos jovens, que sequer têm acesso a um curso de residência, em nada contribui para melhorar o padrão de nossa medicina. Estamos apenas aumentando o número de profissionais despreparados, decepcionados, mal remunerados e aglomerados nos grandes centros urbanos.

Por este motivo, o CRMMG vai continuar sua caminhada, em defesa dos cursos de medicina qualificados que respeitem as reais necessidades do mercado e viabilizem a formação de bons profissionais. Isso interessa à população brasileira e esta é a nossa responsabilidade.

 

DR. MAURÍCIO LEÃO DE REZENDE
Presidente do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais