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Ano 1 Nº 40 Setembro de 2005

RISCOS

Cirurgia de redução do estômago

 

Importância do acompanhamento pós-operatório

 

Rotina dos pacientes que se submetem à cirurgia é alvo de estudos médicos

Equipe de Tratamento da Obesidade do Hospital das Clínicas/UFMG: Dr. Marco Túlio Diniz, chefe da equipe, Dr. Juarez de Oliveira Castro, psiquiatra, Drª Maria de Fátima Sander Diniz, endocrinologista, Dr. Alexandre Savassi, cirurgião-geral, Maria do Pilar, nutricionista e Mônica Lima, Psicóloga

 

O número de obesos que se submetem à cirurgia bariátrica, conhecida popularmente como "redução de estômago", no Brasil, está cada vez maior. A literatura médica atual revela que os tratamentos não cirúrgicos falham em mais de 90% dos pacientes obesos mórbidos (índice de massa corporal igual ou superior a 40 kg/m2) e a intervenção cirúrgica torna-se uma grande aliada no combate à obesidade mórbida.

Muito além da necessidade de emagrecer, destaca-se a importância de um acompanhamento multidisciplinar no período pós-operatório. Esta é a conclusão da Equipe de Tratamento da Obesidade do Hospital das Clínicas/UFMG, pioneira na realização da cirurgia em Minas Gerais. O HC possui uma equipe formada por nutricionistas, psicólogas, psiquiatras, endocrinologistas, cirurgiões-geral e plástico que acompanham o paciente por, no mínimo, cinco anos após a intervenção cirúrgica.

O coordenador da equipe, Dr. Marco Túlio Diniz, acredita que este acompanhamento é essencial para um resultado satisfatório do procedimento cirúrgico. "Na verdade, ela deve se iniciar no pré-operatório. Os pacientes são submetidos à avaliação por toda a equipe. Após a cirurgia, os retornos são feitos com 15, 30, 60 e 90 dias até um ano depois. Após este período, as consultas são semestrais", ressalta.

Evitando complicações no pós-operatório

Esta preocupação dos especialistas foi alvo de um levantamento realizado pelo Hospital das Clínicas de São Paulo, em junho deste ano, com pacientes que fizeram a cirurgia há mais de cinco anos.

Num grupo de 53 pessoas, 18% delas voltaram a engordar ou tornaram- se alcoólatras e quase 80% apresentam um quadro de depressão antes e depois da cirurgia. "Já observamos todas estas situações, aqui em Minas também, inclusive, casos de tentativa de auto-extermínio. Por este motivo, acreditamos que o acompanhamento é essencial por parte de toda a equipe", enfatiza Dr. Marco Túlio.

O esclarecimento da população sobre os reais benefícios, riscos e complicações da cirurgia bariátrica pode melhorar estes resultados. "Os pacientes precisam entender que, apesar de eficaz, a cirurgia não é a primeira alternativa de tratamento e nem garante perda de peso sustentada se ele não modificar seus hábitos de vida", diz Dr. Marco Túlio.

 

Estatísticas elevadas:

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica, em um ano, o número de cirurgias aumentou em 33%, passando de 15 mil em 2003 para 20 mil em 2004.