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Medicina é binômio
"arte médica e ciência".
Esta última é uma conquista que
legitima o ato médico e protege o paciente
de condutas sem comprovada eficácia. Todo
e qualquer tratamento pressupõe a existência
de riscos e benefícios. O problema é
que boa parte das propostas chamadas "alternativas"
não pode responder a esta questão,
pois não passou por estudos cientificamente
corretos para tal finalidade. Muitas são
baseadas em livros como este citado na reportagem,
escritos não se sabe por quem, editado
sabe-se lá onde, contudo muito vendido
a despeito da completa inexistência de confiabilidade.
Todas as propostas terapêuticas
comprovadamente eficazes são parte da medicina,
não importa se estão associadas
a recomendações dietéticas,
uso de medicamentos "naturais", chás,
etc. Assim, a Medicina é única e
NUNCA alternativa. Santificar dietas, chazinhos
e demonizar medicamentos é um ato irresponsável,
leviano e recheado de má fé.
Certas condutas, defendidas
por alguns que profetizam a medicina alternativa,
mais se aproximam de alguma seita dessas que vivem
da exploração da boa fé do
nosso povo. Aliás, usam as mesmas armas
e os mesmos meios de comunicação.
O livro citado na reportagem
parece ser um verdadeiro estelionato, aliado a
outros crimes como propaganda enganosa e completa
falta de ética. Quem responderá
por isso?
Caso a sociedade brasileira
não se posicione agora, é possível
que em breve tenhamos o "Direito Alternativo",
a "Engenharia Alternativa", além
de outras fantasiosas propostas de inserção
no mercado de trabalho.
DR.RAYMUNDO PARANÁ
Professor Livre-Docente de
Hepatologia Clínica da Universidade Federal
da Bahia/Faculdade de Medicina
* Publicação
autorizada pelo autor.
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