| Proposta de
regulamentação das farmácias
de manipulação |
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A Consulta Pública
da ANVISA, Agência Nacional de Vigilância
Sanitária, a respeito da implantação
de uma proposta de regulamentação
das farmácias de manipulação,
foi encerrada.
Um dos itens tem por
objetivo impedir às farmácias a
produção de medicamentos com a mesma
composição e dosagem daqueles oferecidos
pela indústria farmacêutica. Também
propõe restringir que mais de um princípio
ativo possa ser colocado em uma mesma cápsula.
A nova proposta proíbe, ainda, a divulgação
de manipulados junto à classe médica.
Todos os termos de adequação,
aos quais as farmácias estarão submetidas,
ferem frontalmente o Código de Ética
Médica pois propõem que sejam desrespeitadas
a autonomia e a liberdade de prescrição,
contidas nos artigos 2º, 7º e 8º
do CEM: |
"art 2º - O alvo
de toda a atenção dos médicos é
a saúde do ser humano, em benefício do
qual deverá agir com o máximo de zelo
e o melhor de sua capacidade profissional".
art 7º O médico
deve exercer a profissão com ampla autonomia
(...).
art 8º -O médico
não pode em quaisquer circunstâncias ou
sob quaisquer pretextos, renunciar a sua liberdade profissional
devendo evitar que quaisquer restrições
ou imposições possam prejudicar a eficácia
e correção de seu trabalho.
Constitui prerrogativa do médico,
prescrever o que melhor atenda ao seu paciente.
Outro despropósito contido
na consulta da ANVISA é a obrigatoriedade da
colocação do CID quando da prescrição
de medicamento manipulado, ferindo frontalmente o sigilo
médico que é a base da confiança
na relação médico-paciente.
A idéia de proibir que
mais de 6 mil farmácias de manipulação
do país possam oferecer medicamento que tenha
o equivalente na indústria, é arbitrária.
O direito de escolha é do cliente, principalmente,
em um país onde 30% da população
(cerca de 60 milhões de pessoas) não tem
acesso a medicamentos.
A alegação da
Agência é de que o setor precisa de nova
regulamentação para diminuir riscos sanitários
inerentes ao seu funcionamento. Mas, se o assunto é
segurança, vale lembrar que o medicamento manipulado
é para um cliente específico e o erro
de um industrializado pode afetar milhares de pessoas.
Se existe risco na manipulação, ele é
individual.
O Projeto de Regulamentação
das Farmácias de Manipulação parece
estar muito próximo da opinião da presidente
da Associação dos Farmacêuticos
Magistrais, Vânia Regina de Sá, "não
passa de uma tentativa explícita de reserva de
mercado". Faço minhas, as palavras dela.
DRA. MARIA LUCINDA MACEDO FOUREAUX
Conselheira do CRMMG
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